quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Leituras que fecharam um ano e abriram o novo


Olá!

Aqui vamos nós novamente!

Falemos um pouco mais de livros e leituras.

Um pequeno parêntese antes, que também tem a ver com o assunto...

Não sei [sei que não, na verdade] se já lhes falei que tenho uma livraria virtual. Está hospedada no site da estante virtual, um site administrado pelo Magazine Luiza, que já pertenceu à Livraria Cultura, depois que seu fundador o vendeu. Lá ponho à venda alguns livros de minha biblioteca e outros adquiridos de terceiros ou recebidos como doação ou de parceiros que querem vender alguns de seus livros. 

Os títulos que disponho para a venda no site estão lá porque já não me interessam, ou porque tratam de assuntos outros diferentes daqueles de que me ocupo, ou ainda para colocar à disposição de quem queira alguns títulos que já não são mais editados, raros ou curiosos, ou para facilitar o acesso a livros, por preços melhores do que os novos saídos das editoras e em exposição para venda em livrarias físicas.

Para quem se interessar, ela se chama Biblioterapia Livros e pode ser acessada no seguinte link:

https://www.estantevirtual.com.br/livreiros/biblioterapia

Mas não era disso que eu queria falar. E sim de livros e de leituras, repetindo. Aliás, o propósito para o surgimento desta sala.

Li há pouco um livro, pequeno mas delicioso. Trata-se de "Caligrafias", de Adriana Lisboa. 

Nele, Adriana publica o que chama de pequenas narrativas, escritas no período entre 1996 e 2004. O livro é ainda ilustrado com desenhos a nanquim, se não estou enganado, de Gianguido Bonfanti.

É um pequeno livro, com pequenas narrativas que estão mais para poesia em prosa do que para outra forma de literatura. São textos lindos. Emocionantes. Vale muito a pena ler.

Um pequeno trecho, extraído de um texto com o título Saudade:

"A segunda-feira vazara do domingo como se fosse sobra, como se não tivesse o direito de existir dia autônomo."

E outro, de Geografia ( aqui eu o reeditei em formato de poesia):

"Na chapada tudo é grande.

O céu só termina

quando o seu olhar desiste, 

ou quando a miopia te vence.

Caminhe o dia inteiro

e confira no mapa:

Você só cobriu o espaço

que basta ao seu cansaço."

O que acham?

Os dois últimos textos no livro têm, ambos, o título Eternidade e são absolutamente sensacionais, merecedores, sem dúvida, de uma reflexão que dure pelo menos... uma eternidade.

Esta foi uma de minhas primeiras leituras deste 2024.

Encerrei o ano de 2023, com o fim da leitura de um livro do poeta gaúcho Mario Quintana, intitulado "Porta Giratória", ao qual também acredito valer a visita.

Óbvio é que não há mais o que se dizer da escrita de Quintana, quer de sua poesia, quer de sua prosa. Este não é um livro de poesia, apesar de estar recheado dela de ponta a ponta, ou de ponto a ponto. Uma delícia de se ler, daqueles livros que a pessoa abre em qualquer página e encontra uma boa nota para se harmonizar ao momento que vive, seja ele qual for.

Por exemplo, ao falar da poesia como Instrumento, ele diz:

"O encantado espanto que senti quando fiz a primeira poesia ainda perdura até hoje: jamais me esquecerei daquele inábil, daquele medroso toque no instrumento desconhecido... E - até hoje - este receio de uma nota em falso!"

Ou então, ao falar da diferença entre um poeta e um louco:

"A diferença entre um poeta e um louco é que o poeta sabe que é louco... Porque a poesia é uma loucura lúcida."

E para não me estender muito nesta conversa, que espero não chateie ninguém, vou só citar um pequeno grande livro que li entre o finalzinho de 23 e o início de 24. "o lavrador de ipanema", do cronista Rubem Braga, um presente de uma amiga querida. O pequeno volume, de edição limitada e muito bonita, reúne as "crônicas de amor à natureza", numa seleção feita no capricho por Januária Cristina Alves e Leusa Araújo. Um livro para se ler como quem saboreia o líquido mais precioso degustando gole a gole. Ou a melhor sobremesa, ou o fruto favorito maduro e saboroso.

É isso por hoje. Até a próxima. Em breve.


sábado, 27 de janeiro de 2024

Por que ler "pequenas delicadezas"

 Janeiro de 2024.

Faz quase mais de dois anos que não publico nada por aqui.

Tomei, porém, a decisão, neste ano, de voltar à Sala de Leitura, para compartilhar, com quiser me ler, alguma coisa de minhas leituras dos anos que se passaram desde que abri a sala. E não foram poucas.

Comecemos, pois, pela leitura mais recente:

"pequenas delicadezas

conselhos sobre 

o amor e a vida"

Este é o título do livro de Cheryl Strayed, autora também de "Livre - a jornada de uma mulher em busca do recomeço". Um livro que virou filme com o protagonismo de Reese Witherspoon. 

Ao que interessa!

"pequenas delicadezas", livro que me foi indicado por um professor carioca, Alex Castro, com quem tenho feito alguns cursos sobre história e literatura desde a pandemia, é um livro cuja leitura deveria ser obrigatória para as pessoas todas que buscam saber mais sobre si mesmas, sobre as experiências que escolher viver e sobre as decisões que precisam ser tomadas a respeito de nossas vidas e que muitas vezes temos medo de tomar. Ou por não sabermos exatamente como proceder, ou por termos medo de nos machucarmos ou machucarmos as pessoas envolvidas.

O livro traz uma série de conselhos dados por Cheryl a pessoas que escreviam a ela a partir de um site e trata dos mais variados assuntos. Todos tendo a ver com a experiência que cada um e cada uma de nós escolhe viver em determinado momento na vida.

É possível perceber, quando pensamos, por exemplo, que só nós passamos por determinada situação, que outras pessoas também passam pelos perrengues que julgamos exclusivos. E que elas também ficam confusas acerca de que caminho seguir. Que decisões tomar. 

É claro que é muito difícil resumir em um pequeno espaço como este tudo o que cada um e cada uma pode apreender da leitura de um livro como este, mas creio que vale muito a pena lê-lo. Para percebermos que não estamos sós. Que os dilemas e as questões que nos afligem não são só nossos, não se referem somente a nossa vida. Estamos todos num barco só. A vida. E precisamos força e precisamos luz para que nossos caminhos se abram, para que a caminhada se torne mais leve e o terreno em que pisamos menos acidentado. 

Não podemos, porém, pretender-nos donos da verdade. A sabedoria começa a se apresentar a nós, quando começamos a aprender a escutar. Quando começamos a aprender a ouvir o que a vida tem a nos dizer. Não só aquela que pensamos ser a nossa vida, e que é única, pelo menos se pensarmos que todas as escolhas que fazemos - e as que fizemos até agora - são nossas e foram, e são, elas que nos puseram no lugar aonde nos encontramos.

Acabei hoje a leitura. 

Dos últimos pontos que li, eu destacaria o seguinte:

"... não temos como saber o que vai acontecer em nossas vidas. Nós vivemos e temos experiências e deixamos as pessoas que amamos e somos deixados por elas. As pessoas que pensamos que ficariam conosco para sempre não ficam e as pessoas que não sabíamos que entrariam em nossas vidas ficam. Nossa missão aqui é manter a fé nisso, colocá-la numa caixa e esperar. Confiar que algum dia nós saberemos seu significado de modo que quando um milagre corriqueiro nos é revelado nós estaremos lá... [gratos] por todas as pequenas coisas."

E, para terminar, algo que ela diz já bem no fim do livro sobre o que acho que vale a pena refletir:

"A aceitação é uma sala silenciosa e pequena".

Se vocês resolverem ler o livro, boa leitura.

Até a próxima!